«Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez semanas de gravidez, com o consentimento da mulher, em estabelecimento legal de saúde?»
Um dia, quando morrer, quero ser cremada e deitada ao mar...
Não quero ser enterrada, faz-me confusão o culto dos mortos. Não quero lágrimas nem dramas desnecessários, sei que só farei realmente falta a quem me ama de verdade e esses são muito poucos... Quero, num dia de sol radiante e ao som de "Litle Things", "Softly" e "Lullaby" de Lamb ( e por esta ordem), ser lançada ao mar sereno da Costa da Caparica, que me viu nascer e onde tanto ri e chorei, na pequena praia em frente à antiga pensão do meu avô materno, que apesar de já ter sido derrubada ainda lhe sinto o cheiro...
Quero que se lembrem de mim tal como sou, com todos os meus defeitos e antipatias... As partes boas de mim ficarão gravadas de tal forma em quem tiver que ser que não será necessário o esforço de memória...
De jogo. Pode ser viciante e dar milhões ou tirar-nos tudo... Faz cada vez mais parte da vida e do dia a dia de todos nós. Arma secreta que determina a sobrevivência.
De jantar. Sabe tão bem, a dois ou em grupo, passar bons momentos sem mais nenhuma preocupação do que simplesmente saborear a comida e a companhia...
De jardim. Cheio de flores, onde os cheiros se multiplicam e as sensações se apuram a par dos sentidos que despertam para uma sensação infinita de bem estar.
De jeito. Uns com tanto e tão mal aproveitado e outros com tão pouco por aí a render... Há que ser esperto para o conseguir explorar...
De julgar. Hoje em dia é um dos passatempos favoritos dos desocupados e fracos de espírito, daqueles que se sentem acima do bem e do mal... Não nos cabe a nós fazê-lo. A nossa consciência e a vida encarregar-se-ão disso sem dó nem piedade, e aí sim, fará sentido.
De jurar. Quanto mais se jura, mais se mente... As juras e as promessas são geralmente vagas de dignidade e de verdade...
segunda-feira, março 21, 2005
Hoje acordei assim, cheia de raiva quase incontrolável... Qualquer coisa que vá contra o que me parece à partida indicado provoca em mim uma erupção involuntária em que de raiva as lágrimas me queimam a face e se me cerram os dentes, qual pitbull enfurecido pronto a atacar... Porquê? Não faço a mínima ideia... Só sei que devo estar a precisar de descarregar energias com alguma urgência, ou qualquer dia perco a cabeça... Ginásio? Psicanálise? Internamento? Não sei... Só sei que é angustiante sentir isto e não saber porquê nem por quem, e querer deitar fora e não conseguir... Devo estar a dar em maluca... Azar!
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cançasos, Quando a noite de manso se avisinha, E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha a tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca.... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti...
***
És tu! És tu! SEmpre vieste, enfim! Oiço de novo o riso dos teus passos! És tu que eu vejo a estender-me os braços Que Deus criou para me abraçar a mim!
Tudo é divino e santo visto assim... Foram-se os desalentos, os cançasos... O mundo não é mundo: é um jardim! Um céu aberto: longes, os espaços!
Prende-me toda, Amor, prende-me bem! Que vês tu em redor? Não há ninguém! A terra? - um astro morto que flutua...
Tudo o que é chama a arder, tudo o que sente, Tudo o que é vida e vibra eternamente É tu seres meu, amor, e eu ser tua!
Fico maluca ao ouvir declarações do género: "Estamos perante uma nova forma de criminalidade, que é muito mais violenta e recorre a arsenal de guerra..."!!!! Será possível que um alto dirigente das forças policiais nacionais diga isto de santa fé ou está simplesmente a usar uma estratégia para não lançar o pânico entre a população? É que bastará fazer uma pequena visita guiada pelas pequenas e modestas, mas bem recheadas, casinhas dos guetos da Colina do Sol (e é só um expemplo!) para se concluir que a distribuição de armamento de guerra ( à partida pertencente apenas ao exército) está muito bem feita... Open your eyes please!!
Parece que as nossas preces foram ouvidas! A água cai por fim dos céus e alimenta esta terra sequiosa de sustento! Que te perpectues por mais uns bons litros por metro quadrado!!
Efectivamente a história repete-se sem grandes contornos que a distinga... Esta madrugada morreram mais dois polícias... Afinal o que é que se passa? A criminilidade existente não aumentou (antes pelo contrário, há até relatórios que dizem que diminuiu...!), apesar de se estar a tornar mais violenta... Mas e as forças policias? Será normal a ignobilidade das condições destes agentes de manutenção da ordem pública? Será que é assim tão difícil perceber que quase que parece que andamos a brincar aos polícias e aos ladrões (com grande vantagem dos ultimos) nesta santa terrinha que é Portugal? É bom que abram rápidamente os olhos para as condições técnicas e humanas destes homens que simplesmente o são (e não Robocops...) e que se invista urgentemente na modernização dos meios e dos homens (não me parece muito normal um agente de 20 anos, acadinho de sair da academia, esteja já a fazer ronda numa das muitas zonas perigosas da área metropolitana de Lisboa...)
Às vezes dou por mim a perguntar-me como pode o homem, o macho, o género masculino da questão universal que a todos nos toca, ser tão básico... Parece-me demasiadas vezes estar a ouvir o mesmo cd riscado, como que uma formatação barata de uma fórmula eficaz de dar conversa às meninas e aos nacos de carne que estão prontos a ser devorados...
Será possível que não consigam ter dois dedos de sangue frio e pensar que tantas vezes dizem a mesma coisa a tanta gaja diferente, que às tantas (e ainda por cima este mundo é tão pequeno!) nada lhes dá um pingo de credibilidade? Tanto falam e tanto se vanglorizam de que fizeram e aconteceram, brandando a sete ventos e para quem quiser ouvir a bandeira da sua virilidade masculina, que qualquer gaja que se preze e com noção do que anda aqui a fazer, não lhes vai nunca dar mais do que meia dúzia de frases insinuantes e provocatórias?!?
Parece-me a mim lógico que por mais que a atracção crepite e a tesão grite enlouquecida "Satisfaz-me!!", as gajas que cairão na lábia (por vezes hipnótizante) destes garanhões com cabeça de putos reguilas, pouco ou nada mais saberão discirnir do que 2+2=4...
É divinal sentir-me tão bem com um chá fumengante a aconchegar-me do frio, enroscadinha a ver um bom filme... É sublime sentir-me tão bem com tão pouco... Que paz...
E o mais lindo é que ela está em tudo, basta estarmos um pouco mais atentos...
O mar estava bravio e rebelde, bem à maneira irreverente da linha de Sintra... A conversa fluía solta e leve, por entre considerações tecidas ao sabor do vento... A brisa suave acariciava-nos a pele, brindando-nos com aquela miúda humidade vinda do mar...
Chegaste e emudeci... sem compreender bem porquê o constrangimento contagiou a minha tranquilidade e desassossegou-me a alma... Uma faísca encandescente toldava-me a razão cada vez que nos olhávamos e nos falávamos...
Meu coração mirrou... Ainda está apertado... Porquê? Para quê? De quê?
Puta de angústia que de vez em quando te lembras de me massacrar!!!
Depois de uma semana fora do turbilhão quotidiano, consigo agora ter uma ligeira noção do que se passa na cabeça de quem enra num BB... Passaram-se apenas 5 dias, intensos, mas que mais se pareceram com um mês. Nestas escassas 50hrs que passei sempre e continuamente com as mesmas pessoas, foi bastante curioso constatar as alterações do meu comportamento e da forma como ía analisando o que se passava à minha volta...
Nas primeiras 10hrs, ainda a medo, as conversas começaram a desenrolar-se e algumas intimidades a desvendar-se. Nas 10hrs seguintes ainda tinha a intensa sensação de estar num mundo que não era meu, onde as frases se repetiam já inconscientemente e as atitudes ainda pareciam iguais a tantas outras...
Depois disso, lá pelas 30hrs, a noção de tempo e espaço desapareceu por completo. Agora já somos todos uma parte intrinseca, mal nos conseguimos distinguir e mal passamos uns sem os outros. Sem darmos por isso as histórias fundiram-se e as identidades diluiram-se num misto de irmandade e atração fatal. Tudo o que não me pertencia e me punha os cabelos em pé por me parecer totalmente absurdo desapareceu por completo e já nem sequer consigo lembrar-me do que efectivamente se tratava!
A partir das 40hrs um misto de sedução e atração invade o espaço a que estamos rsetritos e já nada parece ser racional. Ali tudo é possível, basta querer. As palavras correm agora soltas e já nem os desejos mais íntimos e perversos se detêm envergonhados dentro das nossas bocas. Os segredos e as fanatsias são escancaradas para quem quiser ouvir. Os gestos, por mais mínimos que sejam, assumem uma extrema importância, e os olhares, esses assumem o desejo que temos uns pelos outros... Passadas quase 50hrs começa a apertar-nos no peito uma sensação de pertença vital, e o simples pensamento de separação magoa fundo, sem qualquer tipo de racionalidade... afinal só foram cinco dias bem passados... Mas as sensações traem a nossa mais sólida frieza e racionalidade... já não há mais nada a fazer.
Agora ainda faltam 20hrs... Depois a libertação do espaço a que temos estado confinados... Tudo pode acontecer...
De ignorância. A pior de todas... não sei nem quero saber!
De insolência. De vez em quando sabe tão bem e faz ainda melhor...
De idade. Cada vez mais motivo de preocupação... Resta saber se o problema está no corpo ou na alma...
De identidade. Há que a ter bem definida, se não está tudo perdido... Por vezes torna-se realmente necessário camuflá-la ou modificá-la, quanto mais não seja para sobreviver...
De idiota. Tantos, tantos!! Cada vez mais!Socorro! E ainda se acham cheios de piada!!
De ilusão. De estar eternamente (feliz) a teu lado...
De imagem. Cada vez mais o passe para o social e o quotidiano... Quando não a temos dentro dos parâmetros ditos normais, a estigmatização apodera-se automáticamenete das mentes sórdidas e ditadoras. Já chega não??
De incompleto. Sinto-me como chumbo ocre, pesada e incompleta na tua ausência...
De indiferença. temos todo o direito a ela!!
De infiel. Afinal de contas o que é a fidelidade?
De inimigo. Suscita competição... Estão por vezes nas esquinas da vida mais improváveis...
De ira. Tanta... Por algum motivo existem práticas de meditação eficientes como o Yoga...
De importante. Importa fundamentalmente saber quando se deve parar.
É já neste sábado que vai acontecer em Lisboa a tão desejada festa da Diesel 2005... Mas este ano, acalmem-se os mais entusiastas das grandes e badaladas festas, a Diesel está a preparar uma Privet Party para apenas 150 exlusivíssimos convidados e todos do género masculino... Pois é as damas este ano ficam a roer as unhas de inveja porque a festa é só para eles... A quem se mostrar realmente interessado e não tenha recebido o pré-convite em casa ou on-line, fica o aviso que podem, até sexta-feira, passar pela loja do Chiado e tentar ganhar um convite duplo... Eu lá estarei à vossa espera! Quanto à festa, vai ser divinal, e eu vou ser das poucas presentes para defender o género feminino!!! See you in the Royal Diesel Club!
Prometo que amanhã me dedico a 100% ao meu bloguinho que tem andado tão abandonado esta semana que passou... Hoje estou de rastos...
sábado, março 12, 2005
quinta-feira, março 10, 2005
Estou cansada, é-me difícil saber se sou eu ou o meu corpo que está cansado. Talvez estejamos os dois. Aturamo-nos os maus humores e os momentos de felicidade. Dormimos e amamos juntos.
Revela-me a tua face eterna criança da lua. Revela-te a mim que me consigo mover por entre as tuas estrelas, pelo mapa do teu sangue, pelo teu perfume de mar… Revela-me o teu corpo de seda, revela-te a mim que padeço desta insónia de amar a tua branca e enigmática alma. Depois enterra o meu corpo frio dentro de ti, junto do teu peito, no meio das tuas entranhas...
Depois de 24h fora do mundo real, voltei ao contacto social com aqueles que mais gosto. O jantar correu leve e solto por entre conversas banais e pouco sentimentais, mas alguma coisa se estava a trasmutar... Por vezes parava e olhava para mim, exteriorizando-me do corpo, e uma saudade indefinida invadia-me a alma... A presença de dois elementos normalmente pouco habituais nas nossas tertúlias, trouxe um constrangimento possívelmente camuflado pela aparente euforia... Afinal faltava a cumplicidade consequente da intimidade e da partilha deste fenómeno que é a amizade... A quando da mudança de cenário, as atitudes prevalecem tão iguais que se confundem com o fumo que nos cerca os corpos ao som do reagge que nos embala e nos faz ficar mais cool... Mas aquele sentimento de indiferença e até de troca, prevalece... Efectivamente o que realmente interessa são as meninas que pouco ou nada de interessante têm para dizer... O ciúme surge assim, finalmente, disfarçado de outros sentimentos de pertença ou de identificação, até que o orgulho fala mais alto, e a hipótese mais válida é virar as costas e seguir em frente... Porque de facto, a casa está cheia de gente, mas tão vazia de amigos e de sentimentos identificativos e de coesão... No intímo o pensamento acaba sempre por ser aquele mais ou menos egoísta de que "daqui a pouco sentem falta e vão lá ter..."
Mas o cenário muda mais uma vez e está agora ainda mais cheio de nada... tudo se modifica cada vez mais e para pior, agora as amizades não estão de facto fisicamente presentes e o ambiente é de mistura grosseira de géneros e de ondas... só duas coisas se mantêm: nós e a música... Do mal o menos! Saudades de quando ainda éramos princesas...
De homem. Com H grande ou pequeno, é o responsável por tanta desgraça e por tanto prazer. É preciso saber sê-lo...
De horas. Tantas e tão poucas. Quando devem passar são eternas e massacrantes, quando as queremos aproveitar passam velozes e apressadas...
De hábito. Há quem os tenha, bons ou maus, e não os queira largar...
De harém. Se a sociedade fosse bigama talvez muita gente fosse bem mais feliz...
De haxixe. Mais palavras para quê? Se fosse legalizado tanta merda seria evitada...
De hirto. Firme e hirto como uma barra de ferro!!
De honra. Há que a saber ter e também saber deixá-la um pouco para trás das costas...
De humanismo. Deveriamos ter um pouco mais de cuidado e pensar mais no desenvolvimento das qualidades humanas essenciais... Estamos todos a perder qualidades fundamentais para uma sociedade integra e equilibrada...
De humildade. Caracteristica básica para qualquer actor social que se preze...
De gato. Animal selvagem que teimamos em domesticar... Felinos incrivelmente bonitos... I love'it!
De gastar. Tudo o que temos e o que não temos. Já não há, pede-se mais um empréstimo ao banco ou ao agiota... O que interessa é não deixar passar aquele telemóvel topo de gama, o carro XPTO, as jantaradas e as bubas de cair para o lado...
De gostar. Gosto tanto de gostar e gosto tanto que gostem de mim... Pena que por vezes gostemos involuntáriamante do que/de quem não devemos...
De gabar. Necessidade inerente à maioria de um macho que se preze. Algumas mulheres também já aprenderam a ser gabarolas... o problema é que a maior parte das vezes mais de metade da gabarolice é pura fantasia...
De ganância. Por ter o que é nosso e o que é dos outros. Nunca chega, é preciso sempre mais... Quem tudo quer, tudo perde...
De génio. Às vezes deviamos olhar melhor à nossa volta... eles andam aí subterfugiados nas nossas próprias mentes...
De grave. Nem tudo é tão grave quanto parece, a maior parte das coisas são tão simples... Grave é a inconsciência generalizada dos actores sociais passeantes desta hipócrita sociedade...
Foram breves os minutos até chegar a Lisboa. Não abri o livro do costume, apenas me deixei ficar inerte em posição voyerista e a olhar para dentro de mim... A insegurança não me deixava concentrar em nada mais do que escassos segundos, mas as imagens perpetuavam-se-me na memória. À minha frente, um adolescente daqueles que acabaram de entrar da faculdade, impecávelmente vestido, tão engomadinho que até parecia ter dormido em pé, as mãos arranjadas, a pele relusente do creme, os apontamentos tão limpinhos, acabadinhos de ser milimétricamente furados e encadernados... Nada nele estava desalinhado. Mas o seu olhar, esse não parava um segundo, sempre inconstante entre os apontamentos de química e todas as movimentações à sua volta...
Saí com a minha insegurança a crescer cada vez mais, desci ao interface com o metro e não encontrei um táxi... Lá caminhei para o subway e deparei-me com uma fila gigantesca para comprar os bilhetes nas máquinas automáticas... Ai minha nossa! Como as pessoas conseguem ser de raciciocínio lento!! Dois metros depois lá vou eu. Mas não sei bem para onde vou... Que se lixe! Saí na estação seguinte e meti-me num táxi. Finalmente a segurança de quem sabe para onde me leva! Correu tudo bem melhor do que esperava (afinal ainda há quem me queira para trabalhar) e alguma ginástica temporal e espacial depois lá voltei eu ao túnel do metro, agora bem mais vazio, e já com um sorriso nos lábios, mas com outra angústia no peito... Sem mais um cansaço descomunal apoderou-se das minhas costas... Com o estômago vazio e a cabeça latejante a pedir por alimento e um pouco mais de sono, volto ao comboio que me embalará de regresso aquele local que conheço tão bem e cujo cheiro me tranquiliza... Mais uma vez o livro matém-se fechado, é agora a preguiça que me invade...
De falar. Sem parar, falar com toda agente, dizer "bom dia" ao vizinho, "desculpe" à srª que vem contra nós, "com licença" ao passar mesmo que não vá incomodar. Comunicar com o Srº Drº e com o mendigo... Falar com os outros e connosco mesmos, falar sozinho...
De ficar. Ficar bem pertinho, espacialmente ou mentalmente, estar presente, sempre.
De foder. A vida dos outros, a nossa própria vida... Passamos o tempo todo a tentar arranjar a melhor forma de nos fodermos uns aos outros... Exteriorizar selvaticamente os nossos instintos animalescos numa boa noite de prazer e suor... Queimar calorias!
De fotografar. Gravar bem fundo na nossa memória as imagens cadentes mais simples, mais majestosas. Tirar o pó das fotos antigas de dentro daquelas velhas caixas de cartão, chorar lágrimas salgadas cheias de saudade dos tempos ídos...
De fachada. Tanta, em todo o lado... Nunca ninguém calcula o que está do outro lado do espelho!
De fado. Triste fado o nosso, povo melancólico...
De falso. Nem tudo o que reluz é ouro... Tanta falsidade neste mundo que ás tantas já nem sei o que é de facto verdade ou mentira...
De familia. Conceito cada vez mais difuso... O que realmente interessa é o respeito e o carinho existente entre os entes queridos...
De faneca. Há quem adore chamar "faneca" às gajas boas, mas será que sabem que dizer "faneca" é o mesmo que dizer, para além de peixe, "bocado murcho"?!?
De fascínio. Por aquele brilho nos teus olhos, o teu cheiro... As palavras soltas nas conversas enebriadas...
De fé. Queria perceber porque é tão necessário acreditar que não passamos de marionetas comandadas por alguém... Será que ninguém consegue perceber que a fé está e somos nós?
De feio. Tanta gente feia!! O pior são aqueles que o são vindo de dentro!
De fogo. Fonte de vida, alimento da paixão... Quero arder no teu fogo eternamente... Mas há quem brinque demasiado com ele e se queime...
De frustrado. Pão de cada dia desta nossa juventude sem horizontes nem vontades...
De fundamental. O importante é nunca perder o alcance, o fundo, o cerne das nossas vontades e sonhos. O fundamental é não desistir mas saber controlar.
De eclético. Saber aproveitar o melhor de cada um, de cada género, de cada ideologia, de cada paixão. Saber distinguir o que é bom de facto e o que nos agrada mais...
De eco. Vozes perdidas no meio dos seres. Ecos cheios de esperança, necessidade de respostas às perguntas difusas e deambulantes das almas perdidas no meio ondas sonoras... Ecos de sonhos perdidos...
De elegante. As palavras, os gestos, os olhares... Ser elegante de alma e coração, fazer a elegância transpirar em todos os nossos poros.
De efémero. Cada vez mais... O corpo, a beleza, a juventude, o trabalho... O amor próprio está em risco de passar de validade... para não falar do carácter... Somos cada vez mais protótipos que pouco ou nada dão e pouco ou nada duram... Cada vez mais descartáveis.
De espermatozóide. Amiguinhos íntimos deles, o terror da vida delas, lá andam sempre no seu corre-corre atarefado desejando dar finalmente o grito da liberdade.
De emoção. Rir, chorar, gritar, sussurrar, arripiar... tudo! Simplesmente sentir.
De efeminado. Há quem já lhes chame metrossexuais. São a ternura das gaja e o desgosto dos gajos... Será preciso perceber que as modas chegam e afectam tudo e todos...
De egoísmo. Caracteristica popular entre as gerações mais novas e a começar a ser popular entre as mais velhas. Estranho é não o ser.
De eliminar. Tudo o que não é aparentemente útil ou necessário. Sem razão nem apelo... Extreminação social camuflada.
De emancipação. Conquista permanente e nem sempre realmente aceite. A nossa sociedade consegue ser tão hipócrita...
De enlouquecer. Por amor, por ciúme, por raiva, por indiferença ou por disfunção... Enlouquecer de prazer no meio de sémens e suores perdidos nas noites frias.
De enfadamento. Sensação de desligamento total das realidades circundantes... a maioria das conversas de hoje em dia. Que tédio! Repetição permanente das rotinas sem vontade de as mudar...
De errar. Cair e levantar a cabeça... Saber perceber quando e onde... Parar de os repetir...
De enganar. Arte de estar em permanete mutação e artimanha... Mil e uma caras... Há sempre um dia em que a máscara cai...
De esgar. Transposição de sentimentos cá para fora... Tão saudável e desconhecido da maior parte das pessoas... Um esgar para exorcizar medos e doenças...
De estupidez. Ai tanta!! O melhor por vezes é fazer de conta que não se ouve... Tanta barbaridade que baila por esta nossa sociedade...
De estigma. Por vezes até parece que está intrínseco nas pessoas...
De eterno. Que o amor seja eterno enquanto dure. Que a eternidade dos dias nos guarde na memória as recordações dóceis da vida.
De dar. Tudo. Até as minhas entranhas... Às vezes dar demais dói, mas passa. Dar sangue, dar a vida, as lágrimas e o suor. Dar o corpo, a alma e o amor. Dar.
De dor. Subtil ou intensiva, física ou metafisica... Dói. Escarafuncha no mais profundo dos seres, torna alguns mais fortes, outros traumatizados... Há que a saber ter...
De despir. Os corpos, os preconceitos, os medos, as fobias e as fantasias. É tão deliciosa aquela sensação de arrepio...
De dormir. Sensação de entrega total. Regresso ao conforto fetal. Dormir sozinha, com a cama toda só para mim, dormir contigo, bem agarradinhos, numa fusão energética revitalizante. Sonhar.
De dançar. Abanar o capacete até não ter mais força no esqueleto, expulsar as energias negativas, as calorias... Depressa ou devagar... Dançar a dança mágica dos duendes silibantes...
De decote. Bem caentuado nas costas e bem delineado no peito. O que é bom é para se ver. Sempre, principalmente quando mais ninguém o espera.
De drama. Por tudo e por nada. Não fossemos nós puros lusitanos... Coitadinhos! Temos que aprender a ver para além da pena que podem vir a ter de nós...
De duvida. De tudo e de nada. Até da própria sombra... E viva a duvida metódica!
De decidir. Algo de aliciante, é um prazer indescritível... Decidir se sim ou se não. Agora.
De disfarce. São tantos os que o usam que às vezes não sei bem com quem falo realmente... É de facto necessário por vezes, cada vez menos nos aceitam como somos de verdade...temos que sobreviver...
De deserto. Aquele que tantas vezes atravessamos sem lhe ver o oásis... Sede, calor, frio, medo...
De depressão. Quando não temos mais nada que fazer e nos sentimos excluídos do mundo... Sempre fiel, a depressão resolve quase todos os problemas... e traz outros tantos que se colam às nossas carapaças eternamente. Anda meio Portugal deprimido.
De democracia. ??? Definição variável, conforme grupo e extracto social...
De dependência. Do utero, da mama, da mãe, dos amigos, dos profs, dos homens, dos patrões, do centro de emprego e da segurança social... Quem é que disse que tinhamos conquistado a liberdade?
De doença. Dos corpos, das almas, das mentes decrépitas e maquiavélicas, sujas. A nossa doença é não sabermos estar sozinhos e dizermos sempre o contrário do que gostariamos de dizer...
De diferença. Direito à diferença... direito à indiferença... Todos diferentes, todos iguais... Que mania que temos de querer manipular tudo e todos à nossa imagem e semelhança...
De dispensável. Tanta coisa que o é e não o conseguimos perceber...
De destino. A forma mais fácil de deixar de lutar por nós mesmos...
De desabafo. Sincero, directo, cheio de amor ou de ódio... O melhor para aliviar a alma... A verdade.
De domingo. Sweet sunday... De pantufas e pijama, fazer um bolinho, comê-lo ainda fumegante com um chá de ervas delicioso... Hum... Um bom filme, uma boa massagem, um banho de imersão a dois, espuma... Cabelos humidos, soltos, envoltos no corpo deambulante, apartado do mundo...
De carinho. Dar atenção, receber afecto, saber agarrar o coração com as mãos.
De carácter. Aquilo que acho que ainda faz parte fulcral de uma pessoa. Perdido por entre ruas e vielas... é preciso não esquecer que existe para ser usado.
De casa. Porto seguro. Nosso cheiro, nossa pele. Casulo onde nos escondemos de tudo e de todos.
De calma. À beira-mar sentada. O cheiro do incenso a queimar contra a minha pele. Os teus beijos...
De calafrio. Por te ter em mim, por te ter longe de mim. Por medo e por excesso de alegria. Da lágrima ao suor.
De ciente. Do que dizemos, do que fazemos, do que está à nossa volta...
De ciúme. Absurdo, necessário, admitido ou subterfugiado... De mim, de ti, dos amigos, dos inimigos, dos conhecidos e dos anónimos. Nunca estamos satisfeitos com o que somos.
De cinismo. Implicito ou explicito. Há quem faça desta artimanha uma estranha forma de vida. Inferno para quem o pratica e para quem dele é alvo e ingénuamente nem se dá conta... Delicioso quando em nós é aplicado e não se percebem que o veneno lhes está a ser retribuido.
De clarividência. Clarividência vossa excelência! Abram os olhos, não se deixem dormir.
De consumo. Cada vez mais estamos perante uma sociedade que não sobrevive sem consumir. Consumo logo existo.
De compatibilidade. Na cama, na vida, no trabalho e na sociedade. Parte de nós, há que ceder.
De compulsão. Estamos a criar uma sociedade repleta de compulsivos... deprimidos compulsivos, assassinos compulsivos, consumistas compulsivos... Compulsivamente temos que ser e ter qualquer coisa patológica.
De comodidade. Cada vez menos nos ralamos seja com o que for que dê mais trabalho do que estender a mão para mudar de canal ou ligar para uma qualquer fast-food...
De confiar. Temos sempre a ingénua tendência para o fazer, principalmente em pessoas que acabámos de conhecer. Porque será que nos arrependemos quase sempre?
De cio. Não só os animais o têm, e por vezes os seres humanos são bem mais perturbadores. Devia pensar-se numa espécie de reclusão satisfatória... poupava-nos de inúmeras cenas tristes!
De cachaça. Bem gelada, forte e doce... Por momentos estou em terras de Vera Cruz.
De cadela. Inevitável, deliciosa. Um dos poucos prazeres da vida.
De confusão. Por tudo e por nada. Dentro de mim tudo se confunde... aquela névoa.
De caír. Sem mais nem menos, de muito alto ou para uma precipício sem fim... Saber olhar em volta e recomeçar.
De caos. A minha cabeça, a minha alma... este mundo abandonado à sorte dos mais espertos...
De cegueira. Pior cego é aquele que não que ver... Open your eyes.
De cepticismo. Cada vez mais imprescindível.
De cirrose. Por este andar o destino de mais de metade da minha geração.
De conceber. Uma vida, um amor... de deixar crescer em nós algo desejado. Criar...
De corpo. Icon social, cartão de visita e de aceitação... Fonte de desejo e de culpa... De corpo e alma...
De culpa. Tanta e tão pouca. Os que a têm de facto parecem nem sequer ter noção disso...
De bonito. Belo é tudo quanto quero. O mundo, as pessoas, o meu amor, tu, eu, nós.
De beijo. Todos os que damos e recebemos. Todos os que precisamos e não temos.
De baço. As imagens que se confundem e não deixam ver com nitidez. As vidas que são deixadas ao acaso embaciam-se.
De beco. Muitos são sem saída aparente... Outros tantos são de facto.
De balelas. As que dizemos aos outros e as que dizemos a nós próprios. Pequenas mentiras em que queremos que acreditem e em que queremos acreditar.
De babilónia. Sweet babilon... A nossa utopia interior.
De bacalhau. Tradicional mas enjoativo. Só é bom quando conjugado com outros prazeres da boa e típica mesa portuguesa. Há quem diga que vem da Noruega... Cá para mim vem é cheio de melancolia e tristeza. É quase uma obrigação.
De bacharelato. Na maioria dos casos insuficiente, e sempre inificiente em qualquer circunstância.
De bactéria. As que nos consomem e as que nos ajudam a viver. As das nossas entranhas e pior ainda as das nossas sociedades.
De bater. Com a cabeça na parede, bater no ceguinho ou agredir... Bater no fundo e voltar à superfície. O bater do coração.
De barbaridade. Tantas e tão aceites!
De bem. Fazer o bem, ser bem aceite, parecer bem. Ilusão entre bem e perfeito ou indicado...
De banha. O terror de qualquer gaja que se preze. Normalmente alojada na barriga... nelas e neles!
De bar. O que seria de nós sem eles e sem as nem sempre belas bebedeiras?
De bissexual. Afinal, não somos todos?
De broche. Os que decoram, os que degustam, os que deglutem.
De bacanal. Todos o querem mas poucos os fazem.
De bisbilhotar. Quem não for "curioso" que atire a primeira pedra...
De blog. Fenómeno bem explicativo da "curiosidade" e da necessidade de exposição contemporânea e frivola.
De banal. Por mais que se tente a diferença, a irreverência, a banalidade está em nós como o pó nos móveis. Acaba sempre por voltar.
De basta. Palavra de ordem. Tudo tem que ter um fim.
De amor. Amor próprio, amor de mãe, amor incontrolável e indefinível... Aquilo a que a maioria foge por medo ou por conforto... Que pode ser delicioso ou perigosamente suicidário... Amor.
De abater. As banhas, os preconceitos, os inimigos... Eliminar o que incomoda por mais que custe...
De abstinência. Ter capacidade para dizer não.
De acéfalo. São mais do que realmente podemos imaginar!
De acidental. A quantidade de coisas que acontecem por acaso... Umas boas, outras tantas más... Mas a maioria acidental...
De admirável. Aquela leveza do ser que tão raramente atingímos...
De aceitar. Cada um, cada qual, a chuva, o sol, a paz e a guerra interior. Ser, simplesmente.
De acordar. Para a vida, para nós mesmos e para os outros. Para a natureza que nos sustenta.
De amigo. Com A grande. Poucos mas bons. Inestimáveis.
De acabar. Saber por um fim nalgo que não tem mais futuro. Acabou.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
São longas e vagas as horas em que os objectivos parecem longínquos e inalcansáveis. A alma vagueia por onde já nem o pó se entranha... Frio...
Voltava eu hoje da faculdade, cansada, moída da gripe que não anda nem desanda, mas não me larga, de cabeça encostada ao vidro quase a dormir, quando ao arrancar da estação de Algueirão/Mem Martins reparo num jovem casal em acesa discussão no meio da plataforma de embarque e desembarque, apinhada de gente, mas de onde eles sobresaiam aos meus olhos em grande destaque... Os poucos segundos que os consegui observar constatei a extrema dificuldade latente em se olharem nos olhos enquanto se agrediam verbalmente... Nem sequem um cruzamento fulminante... nada! Porque é que cada vez mais as pessoas têm dificuldade de se encarar, ali, face to face...? Porque é que são sempre os insultos lançados ao vento, quais cuspidelas de fogo, sem qualquer piedade ou respeito mútuo que acabam por ser as armas dos magoados e ofendidos? Onde ficou a ideia de parar e olhar para dentro de nós e para dentro dos que estão ao nosso redor?? Será que já todos se esqueceram da velha máxima: "Os olhos são o espelho da alma"? Por favor... olhem... olhem-se... deixem-se olhar... Vão ver que é bem mais fácil!
Engº Sócrates: Sou actriz e estudante, trabalho por conta própria, ou empregando bem o termo, sou "trabalhadora independente" e declaro os meus rendimentos através dos malfadados recibos verdes. A minha questão é breve e simples. Dado o estado da cultura em Portugal, e o desinteresse declarado por parte de quem de direito sobre essa matéria, ter uma profissão relacionada com o meio artistico-cultural hoje em dia neste país pode até ser considerado suícidio. Mas adiante... É de lei e obrigatório descontar para a Segurança Social, mensalmente, apartir do 12º mês de actividade aberta nas Finanças, independentemente dos rendimentos obtidos e declarados anualmente... Ora bem, se estou sem trabalhar durante dois ou três meses, terei que continuar a pagar a fasquia miníma mensalmente à SS (Segurança Social, bem entendido!). Agora pergunto, tendo em conta que a "mensalidade" da SS é de aproximadamente 84€, anualmente são aproximadamente 1008€. Se declaro no meu IRS cerca de 3000€, ou seja cerca de 250€ mês, como quer que seja possível pagar renda, luz, água, gás, telefone, comida, universidade, bens consumiveis (roupa e afins) e segurança social???
Se não trabalho todos os meses, porque é que tenho que descontar sobre aquilo que não recebo?
O sr engº, conseguia? É que preciso de uma vez por todas aprender esse truque de sobreviver sem dívidas ao Estado...
Não resisto a dizer o quanto me irrita o sorriso rasgado de todos os membros do PS, como que diz "Temos o país no papo!", tivemos maioria absoluta... Ora bem, 3073208 eleitores não foram às urnas, 103555 votaram em branco, o que prefaz uma total de 3176763 votos que representam nada mais do que 36,79% dos votos... Terá validade esse sorriso ou é só a minha desconfiança de que pouco ou nada vai mudar a falar mais alto?
Será que desta vez a escuridão se dissipa e vamos sair do breu em que estavamos mergulhados, ou será melhor não nos desabituarmos a aplicar o nosso olhar felino? Finalmente virámos à esquerda... vamos lá ver se efectivamente é assim tanto à esquerda ou se depois de sentadinhos na cadeira do poder o programa pouco ou nada vai divergir do desiludido (e sem esquecer mal tratado) PSD...
O meu voto foi fielmente depositado naquela urna, que pela 1ª vez na minha vida de eleitora activa, se tornava já pequena para tanta afluência... Pela 1ª vez esperei para votar.... será isso bom sinal?
sábado, fevereiro 19, 2005
Puta de confusão... Voltaste para me assolapar a mente e me moer a tranquilidade... Sai!!!
Ainda bem que nos ouviram... Agora, será que vamos dar coerência aos nossos pedidos surdos? Por favor, NÃO DEIXEM DE VOTAR NO DOMINGO! Não pelo país, não pelo partido, muito menos pelo candidato... Mas sim pela ideologia e pelo progarama, e principalmente por vocês próprios... Votem em consciência... a favor, contra, em branco... mas votem. São 10m das nossas vidas que podem nelas ter uma repercurssão imensa... Abstanham-se apenas da vossa preguiça mental...
A nossa cura é o entertenimento, a distração sem limites... A nossa cura é sabermos estar acompanhados, assim como sabermos estar sós... A nossa cura é sabermos reagir ardentemente, sabermos lidar com o que nos vai na alma... A nossa cura é sabermos ser frontais e sabermos dizer exactamente o que sentimos... Mas invariávelmente a nossa doença é sermos inimigos do silêncio e fugirmos com uma tremenda angústia no coração... apesar de nos querermos curar...
A nossa doença é o tédio sem fronteiras... A nossa doença é nunca podermos estar sós... A nossa doença é falsa serenidade, sentimento duplo... A nossa doença é dizer o oposto daquilo que gostariamos de dizer... A nossa doença é sermos inimigos do silêncio e fugirmos com uma tremenda angústia no coração...
Mais um agente da PSP morto num dos vários bairros problemáticos do nosso pequeno, mas por vezes sobrelotado, Portugal. 33 anos e uma vida em vão pela segurança pública nacional. Numa simples manobra de vigilância, sem aparentes confrontos, dois agentes em patrulha são violentamente atacados... O tristemente falecido foi atingido por mais de duas dúzias de balas... ou melhor direi cravado? Sem qualquer tipo de motivo (volto a repetir aparente), este crime reflete bem o estado das populações marginalizadas destes bairros. O que levará alguém a conter tanto desprezo pela vida dentro de si? Se este sentimento existe e está, neste caso concreto, bem visível, não será a altura mais do que certa para parar e pensar na bomba relógio que está prestes a explodir nestes bairros? Bairros que para a maioria dos portugueses e governantes não passam de guetos completamente esquecidos e até eliminados da nossa consciência social (se é que esta realmente existe)... São pessoas que simplesmente por viverem dentro dos limites de bairros ditos problemáticos são automáticamente estigmatizadas e eliminadas do sistema... a associação a tudo o que é negativo é o suficiente para despertar dentro de cada um deles uma raiva e uma revolta suficientemente grande para já nada importar. Afinal, marginalizados e esquecidos, o que é que efectivamente têm a perder? Abram os olhos por favor! É um favor que fazem a vocês próprios e à construção de uma sociedade mais intregrada, equilibrada e segura. O que é preciso é integrar e não eliminar... O que é preciso é trabalhar, batalhar e conseguir algumas vitórias no meio de muitas derrotas e não pensar que já não há nada a fazer...
Como as marés que vão e vêm conforme as luas, a minha inspiração desertou e parece não mais voltar à minha mente! Estou finalmente de férias, mas os dias passam breves e singelos, como que uma suave brisa na minha face ao fim de tarde à beira mar, que passa, toca, gela, mas não deixa marca alguma. Vou sentindo e observando tudo e todos os que estão à minha volta, sentido-me por vezes apartada da realidade e outras tantas tão integrada que deixo de ter percepção do que é ou não real... Tento criar para afastar a inutilidade dos dias, mas não consigo. Alguém sabe em que shopping posso comprar inspiração?
Os dias passaram luminosos e quentes ao sabor dos corpos despido e bronzeados, espalhados pelas areias brilhantes e quentes das praias algarvias. As noites passaram velozes e intensas por entre corpos dançantes, suados, transpirantes de energia e sedução. Foram dias menoráveis e irrepetíveis... Ainda hoje ouço: "Olha a menina da Go Play!"...
A noite correu fluente e fácil por entre graça e prazer, a madrugada já ía alta nas horas breves que sorridentes nos deixavam para trás... Tudo parecia correr naturalmente e sem medos, até que algo de repente mudou em ti, transformaste-te num autómato frio e surdo... o teu caminho desviou-se bruscamente do meu e o teu vulto desapareceu por entre as árvores curvadas sobre mim... deixaste-me aqui, sozinha entregue à melodia funebre das folhas e dos pássaros da primeira manhã... Cortaste a linha de comunicação... A noite logo se fez dia e os meu olhos acompanham o inquietude do meu coração... não durmo, fumo, desespero... Onde estás? Nem o nascer do sol me apazigua a alma... Estou cansada, mas preciso de te ouvir para poder dormir...
sábado, fevereiro 12, 2005
Este arrastamento temporal entorpece-me totalmente a alma, o corpo, tudo o que sou e que sinto. Já não vejo a luz do dia, nem o cheiro das horas perdidas…
Acaricia-me o corpo todo amor, envolve-me a alma, agrilhoa-me a ti, beija-me como a água do mar deslizando pela minha alma. Faz-me renascer com a tua transcendência cósmica, sorve-me com prazer supremo… Amar-te é a minha obsessão…
Eu vi a transparência pura atravessar corpos e estrelas e espalhar pétalas sobre os amantes, vi o imenso medo do fim do amor, as lágrimas gritantes pelas imensas e avermelhadas planícies, com aquelas areias cobertas de ouro, onde a noite sequiosa abre caminho ao vagaroso prazer dos corpos… Eu vi olhos vestidos de neblina espessa, vibráteis, captando a fragrância das gritantes lágrimas… Vi os dedos por cima do meu sonho cansado erguerem-se vazios, cheios de nada…
Sinto saudade de você debaixo do meu cobertor, a sua pele na minha fazer amor Sinto saudade de nós dois na varanda em noite quente, a sua pele na minha e o arrepio que dá na gente, fruto do desejo, guardo na boca o gosto beijo. Eu sinto falta de você, me sinto só e aí... será que você volta? Tudo à minha volta é triste...