Toca-a devagar. Percorre-lhe o corpo num afago leve e doce.
Suspira sobre a sua pele, arrepiando-a. O seu bafo cálido, agridoce vagueia pela sua nuca, pelas suas costas, pelo seu ventre, na procura das suas entranhas.
Ele saboreia-a devagar, paciente e metódicamente, num misto de transe e prazer.
A sua pele suada funde-se com a dela, numa temperatura sofrega e sufocante.
Fundem-se, diluem-se, tornam-se num só embalados por um movimento cadênciado, quase melódico.
Amam-se.
Respiram-se.
Saboreiam-se.
Dilatam-se um no outro, tranformam-se numa vontade inesgotável de eterno estado de equilibrio quase perfeito.
Ela suspira. Ele sorri. Esgotados, respiram em silêncio. De alma leve, lavada.
Morrem na cama onde antes recuperaram a vida.
Dormem o sono dos completos, dos satisfeitos. Sorriem e arrepiam-se só de pensar no prazer das coisas simples.